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5 de fevereiro de 2019

Odiar o diferente é fácil porque nos impede de pensar, diz Leandro Karnal


Segundo o historiador, polarização política não é novidade no País, e hostilidade é uma tentativa de se eximir de problemas sociais

Os recentes pleitos eleitorais e o debate político no Brasil têm sido marcados por forte polarização ideológica, cujos efeitos também se manifestam em ofensas e agressões entre as pessoas que defendem políticos ou partidos distintos. Em entrevista ao UM BRASIL, o historiador e professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Leandro Karnal afirma que o comportamento hostil não é novidade na história brasileira e que se perpetua porque o ódio é “o caminho mais fácil, porque nos impede de pensar”.

“Quando eu te odeio, em primeiro lugar, eu digo que eu sou bom e você é ruim, e tudo o que há de ruim no mundo vem de você, do seu partido, do seu político”, comenta Karnal.

Ele avalia que a internet potencializa a percepção a respeito da animosidade entre as pessoas, citando que o Brasil passou por outros momentos de intensa polarização política antes do advento da web, como as disputas entre a Aliança Nacional Libertadora (ANL) e a Ação Integralista Brasileira (AIB) em 1935; o período da renúncia de Jânio Quadros à Presidência da República até o golpe de 1964; e a eleição presidencial de 1989.

Nesse contexto, o historiador ressalta que o “ódio é uma zona muito confortável”, porque transfere a responsabilidade dos problemas a outra pessoa. Segundo ele, a busca por identidade produz dissolução, e pensar provoca solidão. Ao mesmo tempo, é mais fácil viver coletivamente, e é nesse ponto no qual a odiosidade se fortalece.

“O odiador é um covarde. Por isso, o ódio é coletivo. Um playboy não mata um indígena. Eles se reúnem em três ou quatro e ateiam fogo em um indígena no ponto de ônibus. Um torcedor não ataca. Agora, reúna-o em uma torcida organizada... O partido ou grupo de WhatsApp esconde o meu medo e reforça a minha ideia. Então, todo sistema agressivo ou totalitário precisa de mais gente, e, assim, os integrantes se sentem amparados”, avalia. Assista à entrevista completa aqui.

 

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